Sentir algo pode ser, em algumas situações, uma superação. Quando esses sentimentos transitam entre o lógico e o emocional, entre o cérebro e o coração, fica ainda mais complicado. O conflito fica entre o correto – o lógico – e o mais agradável, ou desagradável – o emocional. Nesse pacote de sentimentos, entram a saudade, o medo, a esperança, os sonhos e a segurança. Mas segurança de que mesmo?

Na realidade, poucas seguranças são reais e garantidas. A única coisa que temos de seguro na vida, como dizia meu sábio avô Milton (Saudades de suas máximas e de seu sorriso ingênuo) é a morte. Por essa razão, se apegar o seguro pode ser, como dizem os hispânicos, una tontería. Precisamos sempre nos segurar em nossas ideias e em nossos esforços para que estas sejam realizadas com dignidade e fé. O resto é balela.

Porém, quando entro nessa discussão e começo a deixar extravasar meus sonhos, algumas coisas surgem de maneira avassaladora. Afinal, sou um fabricante de sonhos. Já vivi um deles – viver nos Andes. Posso viver outro desse tipo um dia, pois enquanto estiver vivo tudo será possível. Um outro, o de caminhar intensamente por terras galegas, ainda não foi realizado. Porém, mato a minha vontade indo à Galícia de tempos em tempos.

Isso vem à tona num momento em que começo a deixar aflorar em meu peito a saudade pelos Andes. Entre uma música andina e outra, decido escutar Berrogüetto e Milladoiro. O resultado só poderia ser esse: nostalgia. Galícia é uma terra que me encontra nas origens mais profundas. Afinal, sou descendente direto de portugueses que vieram daquelas bandas europeias, especialmente do Porto (terra que por várias décadas pertenceu ao Reino da Galícia). Além de tudo, foi a segunda – e mais esperada – cidade que conheci na Espanha. Foi a quarta cidade europeia que pisei, depois de Paris (numa conexão de voo), Madri (numa hospedagem por alguns dias) e Toledo (passeio enquanto estava em Madri). Não é a única cidade que conheço, mas seguramente é a mais legal de todas. Quem sabe um dia? Enquanto isso, mato a minha saudade vendo fotos e escutando músicas galegas.

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