Ontem foi um domingo para nenhum brasileiro do bem se esquecer. Repleto de expressões de opiniões, assistimos pela televisão, pela janela de casa ou ao vivo a uma sequência de manifestações de opinião sobre a situação política do país. Foram manifestações legítimas, onde todos falaram o que querem e esperam do futuro do Brasil. Porém, algumas coisas saíram do explicável.

A primeira delas é o pedido pela volta dos militares por diversos cidadãos. Me pergunto onde estava essa gente entre 1964 e 1985, quando deixamos de ter presidentes militares no Brasil. Será que eles nunca ouviram falar nos torturados, assassinados e desaparecidos cidadãos brasileiros? Será que essas pessoas concordam com tal atitude – a de reprimir protestos contrários ao Governo com a prisão, desaparecimento e assassinato? Então, como essas pessoas podem protestar e, assim, acabar com a falácia Ordem e Progresso? É um insulto aos que morreram pela liberdade do povo brasileiro. Mais que isso: é uma demonstração de desconhecimento e falta de cultura sobre a história do Brasil, relacionada a interesses externos e internos, mais profundos e sujos que os casos de corrupção que assolam o Brasil.

Outra atitude inexplicável que me incomodou ontem (mas me incomoda há dias) foi a falta de conhecimento de pessoas consideradas eruditas. Desde a mesa de uma pizzaria até os protestos nas ruas demonstram que essa gente não sabe o que faz, ou fala. Concordo que a Dilma anda pisando na bola de quem votou nela, e até em quem não votou (como é o meu caso), mas tira-la do governo por um processo de Impeachment resultará numa presidência comandada pelo PMDB. Ora, alguém aqui acredita que o PMDB, partido do Michel Temer, do José Sarney, do Eduardo Cunha, do Renan Calheiros, entre murutis outros, é digno de um posto como esse? Se estando fora ele comete estragos irreversíveis, imagina com a faixa presidencial? Mas as pessoas continuam a brigar por isso, pensando que tirando a Dilma o Aecio vai entrar e a corrupção no Brasil acabar.

Corrupção, aliás, é um problema muito mais grave que uma Petrobras, uma Dilma ou um mensalão. Corrupção é a essência da cultura brasileira. E não está limitada aos políticos. Cada vez que alguém compra algo no Paraguai e atravessa a fronteira, na internet e recebe o produto numa caixinha vinda da China, baixa um programa pirata pela internet ou fura uma fila, o que faz é corrupção. Concordo totalmente que os nossos impostos nunca voltam (e nunca voltaram, desde que eu nasci), mas não deixa de ser corrupção. Não deixa de ser um tirar vantagem. Obviamente, uma vantagem ao comprar algumas tranqueiras da China nao se compara à operação Lava Jato, ou ao Cartel do Metrô (como os jornalistas gostam de chamar o esquema de corrupção do PSDB paulista). Mas a essência – a fraude – é a mesma.

Daí, me pergunto se o que eu quero para o futuro é uma cultura assim, repleta de pessoas que desconhecem a história ou que falam sem pensar no que realmente acontecerá. Não sei se quero um futuro onde o odio pelo que pensa diferente, ou pelo que pode coisas iguais (mesmo que antes não pudesse) impera frente aos demais. Penso, penso, penso, e só consigo pensar em sonhos do passado. Sonhos menos acinzentados, apesar do clima frio desses pensamentos.

Lula-FHC-Diretas-Ja-1984

Aos que desconhecem a história, democracia e o fim do militarismo foram desejos compartilhados por todos.

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